O desafio de traduzir expressões idiomáticas e coloquialismos
Publicado em 23 de setembro de 2024 - Atualizado em 1 de outubro

Navegando pela complexidade da tradução de expressões idiomáticas

Traduzir expressões idiomáticas e coloquialismos não é apenas uma questão de trocar palavras de um idioma para outro. Trata-se de capturar significado, tom e contexto cultural. Essas expressões geralmente vão além das palavras em si, tornando sua tradução um dos aspectos mais desafiadores do trabalho linguístico. A riqueza idiomática de um idioma pode refletir séculos de desenvolvimento cultural, e entender o que está por trás das palavras é fundamental.

Considere uma frase em inglês como “latir para a árvore errada”. À primeira vista, um tradutor pode ver uma imagem literal de um cachorro latindo para a árvore errada, mas isso perde o significado pretendido. Na verdade, a frase se refere a alguém que busca uma abordagem equivocada, sem nenhum cachorro ou árvore real envolvido. Um tradutor que trabalha sem entender a linguagem idiomática pode perder completamente a mensagem central. Fica claro que conhecer o significado literal e figurativo é fundamental.

O peso cultural das expressões idiomáticas

Cada idioma tem expressões que são moldadas por sua cultura, história e geografia. Essas frases geralmente fazem referência a objetos, animais ou comportamentos que são comuns ou significativos nessa cultura. Por exemplo, “spill the beans” em inglês se refere a revelar um segredo, mas a conexão com o feijão pode parecer estranha sem entender o contexto cultural. O feijão já foi usado nos sistemas de votação da Grécia Antiga, onde derramá-lo prematuramente poderia revelar informações confidenciais.

Isso destaca como as raízes dos idiomas podem estar ligadas a práticas históricas ou culturais que não são facilmente transferidas para outros idiomas. Veja o idioma francês “mettre son grain de sel” (literalmente, “colocar um grão de sal”), que se traduz aproximadamente na frase em inglês “adicionar dois centavos”, que significa oferecer uma opinião não solicitada. Embora as imagens sejam diferentes, ambas as expressões comunicam a mesma ideia subjacente. Uma boa tradução mantém a essência da frase, mesmo quando a imagem precisa mudar.

Uma parte fundamental da tradução de expressões idiomáticas é reconhecer quando existe um equivalente direto no idioma de destino. Quando duas culturas compartilham experiências semelhantes, elas geralmente desenvolvem expressões comparáveis. Um falante de alemão pode dizer “Ich drücke dir die Daumen” (literalmente, “Eu pressiono meus polegares para você”), o que se assemelha muito ao inglês “Vou manter meus dedos cruzados”, ambos significando desejar boa sorte a alguém. Nesses casos, os tradutores podem simplesmente substituir um idioma por outro, mantendo o significado intacto.

Quando os idiomas não se cruzam

Nem todo idioma tem uma contrapartida fácil em outro idioma. Às vezes, as referências culturais são tão específicas que não há equivalente direto. Por exemplo, o idioma inglês “deixe o gato sair da bolsa” (revelar um segredo) não tem equivalente direto em muitos idiomas. Em casos como esse, os tradutores precisam decidir se querem encontrar uma forma alternativa de expressar a ideia ou explicá-la em termos mais neutros. Muitas vezes, a escolha depende do propósito da tradução. Se o texto precisar manter um tom casual e coloquial, o tradutor pode optar por uma frase semelhante no idioma de destino, mesmo que não seja uma combinação perfeita.

Em contextos formais ou legais, no entanto, manter o significado exato geralmente é mais importante. O tradutor pode optar por reformular o idioma em uma linguagem clara e direta para evitar confusão. Por exemplo, em documentos legais, onde a precisão é fundamental, traduzir o espírito de um idioma em algo mais literal costuma ser a abordagem mais segura. Em vez de traduzir “deixe o gato sair da sacola” diretamente, o tradutor pode optar por dizer “revelar informações confidenciais” para garantir a clareza.

Por que os coloquialismos são especialmente complicados

Os coloquialismos adicionam outra camada de complexidade. Essas são frases informais que geralmente refletem padrões de fala locais, dialetos regionais ou até diferenças geracionais. Os coloquialismos podem ser difíceis de traduzir porque estão profundamente enraizados em um contexto cultural ou social específico. Uma frase como “vocês” no sul dos Estados Unidos, por exemplo, é uma contração coloquial de “todos vocês”. É amplamente compreendido nessa região, mas não necessariamente fora dela.

Traduzir coloquialismos requer não apenas habilidade linguística, mas também uma compreensão das nuances sociais e culturais que lhes dão significado. Um tradutor deve perguntar: O orador está usando essa frase para parecer amigável e informal? A frase tem um significado regional ou cultural que precisa ser preservado? Essas questões são vitais ao decidir como lidar com coloquialismos na tradução.

Considere o coloquialismo “jogar a toalha”, que significa desistir. Essa frase vem do boxe, em que um treinador joga uma toalha no ringue para sinalizar que o lutador não pode mais continuar. Fora das culturas em que o boxe é um esporte popular, essa frase pode não ressoar. Em países onde o boxe não é muito conhecido, um tradutor pode precisar encontrar outra maneira de expressar o mesmo sentimento. Na Espanha, por exemplo, alguém pode dizer “tirar la toalla” (literalmente, “jogar a toalha”), o que significa exatamente a mesma coisa. Este é um exemplo em que a metáfora cruza facilmente as linhas culturais. Mas quando esse não é o caso, os tradutores precisam ser criativos.

Encontrando o tom certo para expressões coloquiais

Às vezes, não são apenas as palavras em si, mas o tom que precisa ser transferido na tradução. Os coloquialismos costumam ser usados para estabelecer um clima descontraído ou informal. O desafio para o tradutor é manter esse tom sem ser muito casual ou formal no idioma de destino. Isso é especialmente complicado ao traduzir entre idiomas com diferentes níveis de formalidade.

Em inglês, por exemplo, “Como está indo?” é uma forma comum de cumprimentar alguém casualmente. Mas traduzir essa frase para o japonês, onde a formalidade está mais profundamente enraizada no idioma, requer uma reflexão cuidadosa. Uma tradução direta de “Como está indo?” pode parecer muito casual ou até rude em japonês, onde as saudações tendem a ser mais formais, dependendo do contexto. Nesse caso, o tradutor provavelmente optaria por uma frase mais educada, como “Ogenki desu ka?” que está mais perto de “Como você está?” em tom.

O mesmo desafio existe ao traduzir de um idioma mais formal para um menos formal. O francês, por exemplo, tem formas distintas de se dirigir às pessoas, conhecidas como “vous” (formal) e “tu” (informal). Se alguém estiver usando francês coloquial em uma conversa informal, pode ser difícil encontrar o nível certo de informalidade em inglês, que não tem as mesmas distinções claras. O tradutor precisa confiar no contexto para avaliar o tom correto.

Tradução literal versus tradução criativa

Uma das maiores dúvidas dos tradutores quando se trata de expressões idiomáticas e coloquialismos é se devem manter uma tradução literal ou adotar uma abordagem mais criativa. Em alguns casos, uma tradução literal pode fazer sentido, especialmente se o idioma tiver um impacto visual ou emocional que ressoe nos dois idiomas. Por exemplo, “pés frios” (que significa estar nervoso ou hesitante) é uma frase que pode ser traduzida literalmente para vários idiomas sem perder o significado.

Mas as traduções literais também podem sair pela culatra. Uma frase como “sentir frio na barriga” (sensação de nervosismo) pode ser confusa se traduzida palavra por palavra em um idioma em que essa imagem não evoca a mesma sensação. Em vez disso, um tradutor pode escolher uma metáfora diferente que melhor se adapte ao contexto cultural. Em russo, por exemplo, o idioma equivalente é “tremer de medo”, que carrega o mesmo peso emocional, mas usa uma imagem diferente.

As traduções criativas geralmente envolvem a substituição de um idioma por outro que tenha um significado semelhante. Em alguns casos, o tradutor pode até precisar inventar uma nova frase que capture o significado original de uma forma que faça sentido para o público-alvo. Isso requer não apenas habilidades linguísticas, mas também um profundo conhecimento de ambas as culturas. Um bom tradutor é alguém que consegue preencher essas lacunas culturais e encontrar maneiras de expressar ideias que ressoem em ambos os lados.

Quando as traduções literais falham

Expressões idiomáticas são um excelente exemplo de por que a tradução literal nem sempre funciona. A famosa frase italiana “In bocca al lupo” (literalmente, “na boca do lobo”) é usada para desejar boa sorte a alguém, semelhante a dizer “quebrar uma perna” em inglês. Mas, se traduzido literalmente, provavelmente confundiria os falantes de inglês, que podem se perguntar por que alguém gostaria de estar na boca de um lobo.

Em casos como esses, o significado por trás do idioma é muito mais importante do que as palavras reais usadas. Um tradutor precisa transmitir esse significado, mesmo que isso signifique abandonar completamente as palavras originais. Para um público que fala inglês, “quebrar uma perna” pode ser o melhor equivalente, mesmo que não tenha nada a ver com lobos.

Coloquialismo como identidade

Os coloquialismos geralmente carregam um senso de identidade regional ou cultural. Alguém usando a palavra “vocês” em uma conversa está sinalizando sua conexão com o sul dos Estados Unidos. Um tradutor que trabalha com coloquialismos deve ter isso em mente. Traduzir “vocês” em uma versão mais padrão de “todos vocês” pode eliminar o sabor regional do discurso. Mas traduzi-lo literalmente para outro idioma pode criar confusão, especialmente se o idioma de destino não tiver uma forma plural de “você”.

Os tradutores devem encontrar um equilíbrio entre preservar a identidade do orador e garantir que a tradução seja clara. Às vezes, isso significa usar um equivalente regional no idioma de destino. Em espanhol, por exemplo, o plural “vosotros” é usado na Espanha, enquanto “ustedes” é comum na América Latina. Dependendo de onde o palestrante é, o tradutor pode escolher um ou outro para capturar essa identidade regional.

Conclusão: A arte da tradução idiomática

Traduzir expressões idiomáticas e coloquialismos é uma das tarefas mais exigentes no trabalho linguístico. Requer não apenas conhecimento linguístico, mas também consciência cultural, criatividade e uma compreensão profunda das duas línguas envolvidas. Não existe uma abordagem única para a tradução idiomática, e cada frase apresenta seus próprios desafios. Um bom tradutor precisa ser flexível, intuitivo e capaz de pensar sozinho, encontrando a melhor maneira de transmitir significado sem perder o espírito do idioma original.

No final das contas, traduzir essas expressões envolve mais do que apenas palavras — é sobre cultura, identidade e comunicação. E é isso que o torna tão gratificante.

ASENE DUYAR

Publicado em 23 de set de 2024

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